O que eu queria? Ora, não
muito. Apenas braços em que eu pudesse cair nos abraços, lábios que eu pudesse
beijar e ver sorrir, sibilando que me ama, olhar que brilhasse quando me visse,
mãos que me agarrem e me neutralizasse para que eu não saísse do lugar. Queria
um corpo pra me apoiar quando o meu mundo estivesse desmoronando, ouvidos para
ouvir o meu grito de dor, pés que percorressem quantos quilômetros fosse só
para me acalmar. Mas, acima de tudo, queria você, seu idiota. Queria qualquer
parte sua que não fosse a saudade. Que não fosse a lembrança. Que não fosse
estática. Queria alguma parte física, que eu pudesse tocar, cheirar, beijar,
sentir... Que eu pudesse olhar e dizer “Puta que pariu, eu amo você!”. Ainda
que fosse a merda de um fio de cabelo seu. Mas nem isso. Não sobrou merda
nenhuma. Nem mesmo um bilhete com seu nome a qual eu pudesse levar num terreiro
de macumba e fizesse uma prece pra o santo te trazer de volta pra mim. Nada. A
única coisa positiva nisso tudo é que assim é mais fácil de te esquecer. Só
assim eu me reconstruo e volto a ser o mesmo de antes, sem você. Ou melhor, com
alguns fragmentos seus. Mas estes, o vento vai levando para longe aos poucos.
Deixa eles só mais um pouquinho enquanto a saudade desata e some.
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