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sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Ah, idiota.

O que eu queria? Ora, não muito. Apenas braços em que eu pudesse cair nos abraços, lábios que eu pudesse beijar e ver sorrir, sibilando que me ama, olhar que brilhasse quando me visse, mãos que me agarrem e me neutralizasse para que eu não saísse do lugar. Queria um corpo pra me apoiar quando o meu mundo estivesse desmoronando, ouvidos para ouvir o meu grito de dor, pés que percorressem quantos quilômetros fosse só para me acalmar. Mas, acima de tudo, queria você, seu idiota. Queria qualquer parte sua que não fosse a saudade. Que não fosse a lembrança. Que não fosse estática. Queria alguma parte física, que eu pudesse tocar, cheirar, beijar, sentir... Que eu pudesse olhar e dizer “Puta que pariu, eu amo você!”. Ainda que fosse a merda de um fio de cabelo seu. Mas nem isso. Não sobrou merda nenhuma. Nem mesmo um bilhete com seu nome a qual eu pudesse levar num terreiro de macumba e fizesse uma prece pra o santo te trazer de volta pra mim. Nada. A única coisa positiva nisso tudo é que assim é mais fácil de te esquecer. Só assim eu me reconstruo e volto a ser o mesmo de antes, sem você. Ou melhor, com alguns fragmentos seus. Mas estes, o vento vai levando para longe aos poucos. Deixa eles só mais um pouquinho enquanto a saudade desata e some.

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