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quinta-feira, 25 de abril de 2019

Rio e Mar


Somos rio que corre para o mar. No fim das contas, é isso que somos. Começamos em formato de gota, que do céu cai, suavemente e aos poucos, formando uma enxurrada, deságua no rio e percorre quilômetros e quilômetros até chegar de encontro ao mar e do mar para o mar alto. Pense bem, essa filosofia não é tão estranha assim. Somos evolutivos, vamos nos adaptando, crescendo, aprendendo e crescendo, até que alcançamos a plenitude. O grande problema é que, nunca, nem mesmo forçando, saberemos quando é que acabamos chegando nessa plenitude. A plenitude é nosso mar, outros poderiam chamar de céu. É onde, por fim, todas as águas e almas se encontram.

domingo, 30 de outubro de 2016

A Carroça

Extraída do Google Imagens. Acesso em 30 de out 2016.
Certa manhã, meu pai, muito sábio, convidou-me para dar um passeio no bosque e eu aceitei com prazer. Após algum tempo, ele se deteve numa clareira e, depois de um pequeno silêncio, me perguntou:

– Além do canto dos pássaros, você está ouvindo mais alguma coisa?

Apurei os ouvidos alguns segundos e respondi:

– Estou ouvindo um barulho de carroça.

– Isso mesmo – disse meu pai – e é uma carroça vazia!

Perguntei a ele:

– Como pode saber que a carroça está vazia, se ainda não a vimos?

– Ora – respondeu meu pai – é muito fácil saber que uma carroça está vazia por causa do barulho. Quanto mais vazia a carroça, maior é o barulho que faz.

Tornei-me adulto e até hoje, quando vejo uma pessoa falando demais, gritando (no sentido de intimidar), tratando o próximo com grosseria inoportuna, prepotente, interrompendo a conversa de todo mundo e querendo demonstrar ser o dono da razão e da verdade absoluta, tenho a impressão de ouvir a voz do meu pai dizendo:

– Quanto mais vazia a carroça, mais barulho ela faz!

sábado, 22 de outubro de 2016

Renunciei meu passado para reescrever o meu futuro.

É estranho, sabe. Você vai se apegando a pessoa, ficando presente todos os dias, noites de sono perdidas só com as conversas, começa a contar tudo sobre si. Até que puff! Ela se afasta, começa a sumir da sua vida, te fazendo ficar completamente perdido, sem ter a quem recorrer, pois seu porto seguro está partindo, parte de você, se esvazia e quando você se dá conta, simplesmente acabou, suas noites passam a ser incompletas sem o “boa noite, dorme bem” e as manhãs vazias sem o “bom dia, dormiu bem?”. Estar sem você é doloroso, e por mais que me digam, “calma, é passageiro” parece que só piora a cada dia, aumentando ainda mais a minha necessidade de você, do som da sua voz, que era o mais reconfortante. Você não vai voltar, é fato, mas como eu vou seguir sem você, ainda não sei, é indefinido.

Sei lá, vi no Tumblr.

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

O grande espelho negro da humanidade

Pode parecer algo bem bizarro dizer isso, mas a cada dia que se passa, o ser humano torna-se mais e mais dependente da tecnologia. Digo isto não só pelo fato de que quase tudo o que fazemos no dia a dia ter funções que carecem de recursos tecnológicos, como também do simples fato de que não conseguimos, com facilidade, passar um dia “desconectado”. A cada minuto sentimos a necessidade de verificar nossos aparelhos em busca de novas atualizações dos aplicativos, saber quem curtiu, comentou, postou, compartilhou e ingressou nas redes sociais. Incrível como em questão de segundos uma imagem ou notícia pode varrer o mundo. O mais incrível ainda é como o ser humano, sendo o único ser racional, ainda não aprendeu a fazer uso dessas redes para o bem comum. Claro, há aqueles que a usam da melhor maneira possível, compartilhando dicas, notícias importantes e tudo o mais que venha ser relevante. Mas se formos analisar com cautela, percebemos que grande parte do que se encontra disponível e que é compartilhado por muitos usuários é simples e pura besteira. Ocupam maior parte de seu tempo vendo fofocas, que em nada vão alimentar para o seu crescimento educacional ou pessoal, vagam por sites de pouca utilidade. Ingressam em um universo de jogos online e passam horas a fio conectados com pessoas que sequer sabem sua verdadeira identidade. E falando nisso, acho muito incrível como os relacionamentos interpessoais vêm crescendo abundantemente e, acabando muito mais rápido ainda. Já não se vê mais as pessoas se paquerando nas ruas, nas escolas, universidades... tudo hoje é atrás de uma tela. Uma mensagem para um, mensagem para outro, e a lista segue aos incontáveis contatos da agenda. Esqueceu-se o verdadeiro significado e razão para amar e fazer de tudo para amar cada dia mais a mesma pessoa e entregar-se a ela verdadeiramente. Hoje, enjoou? Passa para próxima e pronto. É só repetir o ciclo quando se cansar e tudo ali, na palma da sua mão.
Comecei hoje a assistir Black Mirror, série que aborda o excesso, a manipulação e como a tecnologia interfere em nossa vida. Em seu segundo episódio da primeira temporada, pude perceber com uma vergonha imensa a como se adere a nossa realidade atual. Pessoas conectadas a uma realidade virtual, impregnados a uma vida não viva, mas algo altamente superficial! Pessoas que mal se falam, mal se tocam, fazendo tudo por dinheiro e por si próprio. O preconceito social, racial, étnico, sexual... tudo ali bem exposto para nos mostrar como nós somos. Para nos lembrar do quão desprezíveis a raça humana vem tornando-se cada dia mais. E mesmo vendo isso em séries, filmes, até no dia a dia, a sociedade tende a permanecer no mesmo rumo, por que é mais fácil para ela adaptar-se a atual condição a ter que mudar.

As pessoas precisam voltar ao tempo por um pouco, lembrar de como era a sensação de sorrir intensamente, sem ter que ficar dependendo da tecnologia para dar algo para ela sorrir. As conexões virtuais precisam voltar a serem mais pessoais, mais ao vivo e a cores, mais touch skin. Precisamos voltar a sermos humanos novamente.

quarta-feira, 9 de março de 2016

Amar é também saber quando desistir

O amor a dois é lindo. Mas não existe nada mais triste (pelo menos em matéria de amor) do que seguir amando apenas um vazio. Seguir amando alguém que já não está mais lá. Amar é então também saber quando desistir. Amar? Sim, amar. Aprender a respeitar e cuidar de si mesmo. Saber encarar com maturidade um fato essencial: ninguém demoraria dias (ou até mesmo anos) para decidir o que o coração já deveria saber. Quando desistir então? Quando desistir de insistir ou esperar, colocando toda a sua (in)felicidade nas mãos alheias? Bem, não existe resposta. Mas a simples existência dessas perguntas já são o seu mais sincero sinal. O amor é sempre leve – mesmo com todas as suas entregas e renúncias. Nunca é esse exaustivo campo de batalha. Então, se você estiver se perguntando “até quando lutar?”, essa talvez já seja a sua resposta. Porque insistir uma hora cansa. Existir é sempre melhor.

—  Matheus Jacob. (Via Tumblr)

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

O amor está em escassez.

E estamos desistindo do amor muito fácil. Ultimamente andamos cheios de inseguranças e receios. Tudo por causa do medo de amar e se machucar, amar e sofrer, amar e ser substituído, amar e ser esquecido, e por ai vai… Quantas vidas esse medo já levou? Quantas esperanças essa insegurança já destruiu? Não chegamos nem na metade desse século e já estamos em escassez de muita coisa. Vocês querem mesmo chegar e dois mil e cinquenta e não ter nada para se orgulharem? Vão se orgulhar do que? Da cura da AIDS? Do câncer? Do teletransporte de matéria física? Empregados robóticos? É disso que querem se orgulhar? Comecem a ver beleza nas pequenas coisas e agradecerem se esse planeta chegar até dois mil e cinquenta. Ele pode até chegar, mas essa sociedade… eu duvido muito. Já estamos em escassez de água, comida e acredite, milhares de pessoas ainda não conhecem a eletricidade elétrica. Se o mundo já está assim antes mesmo de existir água potável para quase metade da população, imagina quando ela acabar. Estamos entrando em dias difíceis, onde o tempo passa e a gente mal se dar conta. Onde o mundo morre aos poucos e todos tampamos os olhos fingindo não ver. Onde classe social e a cor da pele voltou à valer mais que o caráter. Já perdemos muitas coisas, não estou falando desses seus bens que ficarão por aqui quando esse seu corpo for degradado pela essa terra onde você sustenta os seus pés. Estou falando do carinho e do amor próprio. Não deixe que o amor entre em escassez também. Não iremos ter nada do que se orgulhar no futuro se não tivermos um pouco de amor por si próprio e muito amor pelo próximo.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

O amor ficou, mas você se foi.

Apesar de ter partido, eu ainda penso em você. Tem um pouco de você em cada coisa que faço ou pretendo fazer, não se esqueça de mim, não jogue nossas lembranças em um canto qualquer, guarde-as, por favor, são lembranças tão belas para serem jogadas ao vento, guarde um pouquinho de mim dentro de você, assim como eu fiz. Eu sei que não pensa em mim, assim como penso em você, se é que você ainda pensa né? Lembro-me perfeitamente de todas as nossas juras de amor, que foram em vão, não da minha parte, mas talvez da sua, costumávamos ouvir nossa música preferida, era como se nos encontrássemos em cada melodia. Preciso confessar que a saudade tem sido destruidora, eu não tô aprendendo a lidar muito bem com a ausência, o começo é sempre mais difícil, ela parece está me matando. Sei que com o tempo vou te expulsando da minha vida, vou aprendendo a viver sem você, como um completo desconhecido que conheço muito bem. A cada tombo que a vida me dá, eu me levanto mais forte que nunca e dessa vez não será diferente. O que aconteceu com todo aquele amor que você dizia ter? Amores não acabam assim da noite para o dia, e o pior, você foi embora sem ao menos me dizer adeus, ficou um silêncio aterrorizante no ar, para falar a verdade eu preferia nem ouvir mesmo, a dor seria mais forte. Você não podia ter feito isso, entrado na minha vida como um furacão e saído destruindo tudo, deixando as coisas fora do lugar, uma bagunça extrema. Se caso você voltar, devolva a melhor parte de mim que você levou.

Cartas que você nunca irá ler

Oi amor, tudo bem? Bom, eu espero que sim. Acho que você não sabe, mas desde que foi embora, eu te escrevo, escrevo sabendo que talvez nunca irá ler, tenho contado um pouco do que fomos um dia. Eu gostaria de te dizer, que eu estou com saudades, que você faz uma falta muito grande, nunca imaginei que um dia fossemos seguir caminhos diferentes, que você conheceria outra pessoa e se apaixonaria. Gostaria de lembrar, que de todas as coisas do mundo, você foi a melhor, que eu aprendi bastante com você. Eu passei a escrever para você, com a intenção de tirar um pouco da dor que minha alma sente e assim tem aliviado mais. Quando escrevo, posso te sentir perto de mim novamente. Coloco sempre a nossa música e ela me faz lembrar-se de você perfeitamente, enquanto a escuto caem várias lágrimas e junto delas um pouco dessa angústia que eu sinto longe de você, vai embora. Diga que você ainda se lembra da nossa história? Diga também que ainda se lembra de todas as nossas juras, que não esqueceu tudo o que vivemos juntos? Eu era sua menina, lembra? Será que ainda nos veremos de novo? E será que até lá eu ainda serei o motivo do seu sorriso? Não queria que as coisas terminassem assim, lembra que a promessa era sermos felizes independente de qualquer coisa? Não me diga “Adeus, até um dia desses”, não diga que prefere seguir sua vida sem mim, confesso que eu não gostaria nem de ouvir isso. Já faz algum tempo em que você foi embora, mas eu nunca consegui te tirar da mente, mesmo que você volte e fique por apenas alguns segundos, será suficiente pra me deixar destruída, por saber que talvez esses sejam os últimos segundos que terei ao seu lado. Desculpa por estar dizendo tudo isso, é que eu ainda sinto muita vontade de ser seu de novo, de pode viver novamente, tudo o que vivemos, mesmo que isso não seja possível, mas eu gostaria de te pedir uma única coisa; não se esqueça de mim, por que eu jamais me esquecerei de você.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

— A Teoria do Caos.

Eu sinto a sua falta. Pronto, falei. Eu quero ter nossas conversas de volta, as brincadeiras, os risos. Mas, não sinto que isso seja o que você também quer. Eu tenho um tropeço por você e quis que você também tivesse um por mim. Porém, eu estava te forçando a sentir algo. Algo que talvez, você já sinta, mas por outra pessoa. E por medo de ouvir a sua resposta, eu escolhi ir embora. Porque é isso que eu faço. Eu vou embora por medo de me machucar e olha só, não adiantou de nada. Afinal, eu sinto a sua falta e isso machuca.

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Ah, idiota.

O que eu queria? Ora, não muito. Apenas braços em que eu pudesse cair nos abraços, lábios que eu pudesse beijar e ver sorrir, sibilando que me ama, olhar que brilhasse quando me visse, mãos que me agarrem e me neutralizasse para que eu não saísse do lugar. Queria um corpo pra me apoiar quando o meu mundo estivesse desmoronando, ouvidos para ouvir o meu grito de dor, pés que percorressem quantos quilômetros fosse só para me acalmar. Mas, acima de tudo, queria você, seu idiota. Queria qualquer parte sua que não fosse a saudade. Que não fosse a lembrança. Que não fosse estática. Queria alguma parte física, que eu pudesse tocar, cheirar, beijar, sentir... Que eu pudesse olhar e dizer “Puta que pariu, eu amo você!”. Ainda que fosse a merda de um fio de cabelo seu. Mas nem isso. Não sobrou merda nenhuma. Nem mesmo um bilhete com seu nome a qual eu pudesse levar num terreiro de macumba e fizesse uma prece pra o santo te trazer de volta pra mim. Nada. A única coisa positiva nisso tudo é que assim é mais fácil de te esquecer. Só assim eu me reconstruo e volto a ser o mesmo de antes, sem você. Ou melhor, com alguns fragmentos seus. Mas estes, o vento vai levando para longe aos poucos. Deixa eles só mais um pouquinho enquanto a saudade desata e some.