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sexta-feira, 21 de outubro de 2016

O grande espelho negro da humanidade

Pode parecer algo bem bizarro dizer isso, mas a cada dia que se passa, o ser humano torna-se mais e mais dependente da tecnologia. Digo isto não só pelo fato de que quase tudo o que fazemos no dia a dia ter funções que carecem de recursos tecnológicos, como também do simples fato de que não conseguimos, com facilidade, passar um dia “desconectado”. A cada minuto sentimos a necessidade de verificar nossos aparelhos em busca de novas atualizações dos aplicativos, saber quem curtiu, comentou, postou, compartilhou e ingressou nas redes sociais. Incrível como em questão de segundos uma imagem ou notícia pode varrer o mundo. O mais incrível ainda é como o ser humano, sendo o único ser racional, ainda não aprendeu a fazer uso dessas redes para o bem comum. Claro, há aqueles que a usam da melhor maneira possível, compartilhando dicas, notícias importantes e tudo o mais que venha ser relevante. Mas se formos analisar com cautela, percebemos que grande parte do que se encontra disponível e que é compartilhado por muitos usuários é simples e pura besteira. Ocupam maior parte de seu tempo vendo fofocas, que em nada vão alimentar para o seu crescimento educacional ou pessoal, vagam por sites de pouca utilidade. Ingressam em um universo de jogos online e passam horas a fio conectados com pessoas que sequer sabem sua verdadeira identidade. E falando nisso, acho muito incrível como os relacionamentos interpessoais vêm crescendo abundantemente e, acabando muito mais rápido ainda. Já não se vê mais as pessoas se paquerando nas ruas, nas escolas, universidades... tudo hoje é atrás de uma tela. Uma mensagem para um, mensagem para outro, e a lista segue aos incontáveis contatos da agenda. Esqueceu-se o verdadeiro significado e razão para amar e fazer de tudo para amar cada dia mais a mesma pessoa e entregar-se a ela verdadeiramente. Hoje, enjoou? Passa para próxima e pronto. É só repetir o ciclo quando se cansar e tudo ali, na palma da sua mão.
Comecei hoje a assistir Black Mirror, série que aborda o excesso, a manipulação e como a tecnologia interfere em nossa vida. Em seu segundo episódio da primeira temporada, pude perceber com uma vergonha imensa a como se adere a nossa realidade atual. Pessoas conectadas a uma realidade virtual, impregnados a uma vida não viva, mas algo altamente superficial! Pessoas que mal se falam, mal se tocam, fazendo tudo por dinheiro e por si próprio. O preconceito social, racial, étnico, sexual... tudo ali bem exposto para nos mostrar como nós somos. Para nos lembrar do quão desprezíveis a raça humana vem tornando-se cada dia mais. E mesmo vendo isso em séries, filmes, até no dia a dia, a sociedade tende a permanecer no mesmo rumo, por que é mais fácil para ela adaptar-se a atual condição a ter que mudar.

As pessoas precisam voltar ao tempo por um pouco, lembrar de como era a sensação de sorrir intensamente, sem ter que ficar dependendo da tecnologia para dar algo para ela sorrir. As conexões virtuais precisam voltar a serem mais pessoais, mais ao vivo e a cores, mais touch skin. Precisamos voltar a sermos humanos novamente.

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