Pode parecer algo bem bizarro
dizer isso, mas a cada dia que se passa, o ser humano torna-se mais e mais
dependente da tecnologia. Digo isto não só pelo fato de que quase tudo o que
fazemos no dia a dia ter funções que carecem de recursos tecnológicos, como
também do simples fato de que não conseguimos, com facilidade, passar um dia “desconectado”.
A cada minuto sentimos a necessidade de verificar nossos aparelhos em busca de
novas atualizações dos aplicativos, saber quem curtiu, comentou, postou,
compartilhou e ingressou nas redes sociais. Incrível como em questão de
segundos uma imagem ou notícia pode varrer o mundo. O mais incrível ainda é
como o ser humano, sendo o único ser racional, ainda não aprendeu a fazer uso
dessas redes para o bem comum. Claro, há aqueles que a usam da melhor maneira
possível, compartilhando dicas, notícias importantes e tudo o mais que venha
ser relevante. Mas se formos analisar com cautela, percebemos que grande parte
do que se encontra disponível e que é compartilhado por muitos usuários é
simples e pura besteira. Ocupam maior parte de seu tempo vendo fofocas, que em
nada vão alimentar para o seu crescimento educacional ou pessoal, vagam por
sites de pouca utilidade. Ingressam em um universo de jogos online e passam
horas a fio conectados com pessoas que sequer sabem sua verdadeira identidade.
E falando nisso, acho muito incrível como os relacionamentos interpessoais vêm
crescendo abundantemente e, acabando muito mais rápido ainda. Já não se vê mais
as pessoas se paquerando nas ruas, nas escolas, universidades... tudo hoje é
atrás de uma tela. Uma mensagem para um, mensagem para outro, e a lista segue aos
incontáveis contatos da agenda. Esqueceu-se o verdadeiro significado e razão
para amar e fazer de tudo para amar cada dia mais a mesma pessoa e entregar-se
a ela verdadeiramente. Hoje, enjoou? Passa para próxima e pronto. É só repetir
o ciclo quando se cansar e tudo ali, na palma da sua mão.
Comecei hoje a assistir Black
Mirror, série que aborda o excesso, a manipulação e como a tecnologia interfere
em nossa vida. Em seu segundo episódio da primeira temporada, pude perceber com
uma vergonha imensa a como se adere a nossa realidade atual. Pessoas conectadas
a uma realidade virtual, impregnados a uma vida não viva, mas algo altamente
superficial! Pessoas que mal se falam, mal se tocam, fazendo tudo por dinheiro
e por si próprio. O preconceito social, racial, étnico, sexual... tudo ali bem
exposto para nos mostrar como nós somos. Para nos lembrar do quão desprezíveis
a raça humana vem tornando-se cada dia mais. E mesmo vendo isso em séries,
filmes, até no dia a dia, a sociedade tende a permanecer no mesmo rumo, por que
é mais fácil para ela adaptar-se a atual condição a ter que mudar.
As pessoas precisam voltar ao
tempo por um pouco, lembrar de como era a sensação de sorrir intensamente, sem
ter que ficar dependendo da tecnologia para dar algo para ela sorrir. As
conexões virtuais precisam voltar a serem mais pessoais, mais ao vivo e a cores,
mais touch skin. Precisamos voltar a sermos humanos novamente.
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