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sexta-feira, 27 de novembro de 2015

A Menina Que Queria Ser Ela Mesma

Não sou, obrigada. E mesmo se eu fosse obrigada, não iria dar em nada. Eu sendo assim já sofro, imagina sendo quem eu não sou!? Minhas unhas são roídas, e o meu coração também. Meu cabelo não é liso, ondulado, quadrado, cacheado, é apenas qualquer coisa entre o feio e o brega. E o meu corpo é isso mesmo que eles vêem: sem formas, sem nada para ser admirado ou elogiado, e eu não vou pedir desculpas por isso, dane-se o que eles querem. O meu humor é à base de ironia, e tem cheiro ácido. Eu amo tratar bem as pessoas, mas não tenho paciência e nem pessoas que queiram algo de mim. O que eu faço de melhor é dormir, sedar a alma, me afogar na minha própria solidão, e caguei para as pessoas que não querem me entender, por isso eu me mordo sozinha, choro sozinha e escrevo aqui, sozinha. A pessoa que eu mais amo não é aquele cara que não corresponde ao meu amor, é aquela que me trouxe ao mundo e me ama desde então. Não sou a filha perfeita: ainda brigo com a minha mãe e sinto meu coração embravecer com o meu pai. Não sou a menina que vai chamar a atenção por onde passa (muito pelo contrário). Não tenho o melhor sorriso, e nem uma visão boa. Não sou bem-humorada sempre, não rio à toa com qualquer pessoa. Não sei lidar com crianças. Não sou aquela que vai aceitar qualquer merda e fingir que está tudo bem. Não sei, não tenho, não sou, obrigada.

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