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sexta-feira, 30 de outubro de 2015

O Silêncio dos Inocentes

Kyle Thompson - Ilustração, 2015.
Dizem as más línguas que o problema da dor é que ela precisa ser sentida. Nós a sentimos, com veemência e alternância, suportamos cada lufada de dor e em silêncio prosseguimos. Às vezes sorrindo, mentindo para o mundo, mas não para nós mesmos, dizendo estar tudo bem quando na verdade não está. Por quantas vezes você respirou fundo, buscando fôlego dentro de si que fosse capaz de te dar força para dizer um simples obrigado a alguém que te feriu, que te magoou. Aquela dor incomoda dentro de ti, apertando teu peito junto ao teu coração. Todas as vezes que ao fim do dia ao chegar a casa, jogastes tuas coisas na cama e despindo-se desesperado por um banho que fosse capaz de limpar tua alma, chorastes calmamente e em silêncio, para não acordar os fantasmas que insistem em te aterrorizar. Ah, ninguém faz ideia dos silêncios que manténs. Dos gritos engolidos, das lágrimas derramadas, das dores sentidas. És um mero inocente perdido em uma sociedade que te obriga a ficar em silêncio perante tuas dores, tendo que aceitar tudo como melhor convier, ou do contrário, teu grito é tua morte. Cala-te, inocente.

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