“Há uma distinção
fundamental entre o homem e a mulher. A mulher prefere transar quando está à
vontade, disposta, leve, com a cabeça boa. Entende o sexo como inspiração,
merecimento de um momento. Não adianta vir quente se ela estiver fervendo de
raiva. Com um problema ou um aborrecimento a resolver, não vestirá o roupão e
entrará na arena. Nem por decreto. Ainda por cima, chamará você de insensível.
Se tomada de preocupação ou sobrecarregada do trabalho, não cederá aos apelos
da carne. Se machucada por alguma frase ou com orgulho ferido, não assumirá o
enlace. Se estiver comendo chocolate ou se sentindo gorda, nem tente
convencê-la de que seu corpo é bonito. A qualidade do contexto determinará sua
vontade – antes de fazer sexo, a mulher pergunta “Onde? Como? Quando? Por
quê?”. Não é de qualquer jeito e em qualquer lugar. Já o homem é o oposto. Quer
transar principalmente quando não está bem. Transa para se recuperar, para sair
do desespero, para abandonar a tristeza. Pode perder o emprego e transar como
antídoto, poderá estar falido e transar como esperança, pode estar acabado e
transar como ressurreição. Enfrenta divórcios e separações com sexo. A ala
masculina acredita que o sexo acalma mais do que cachaça e antidepressivo. São
dois extremos de comportamento. Para a mulher, sexo é argumento. Para o homem,
sexo é desculpa. Para a mulher, sexo é eleição. Para o homem, é golpe. Para a
mulher, sexo é virtude. Para o homem, sexo é vício. Para a mulher, sexo é
resultado do dia. Para o homem, é uma nova noite. Para a mulher, sexo é
julgamento. Para o homem, sexo é perdão. Para a mulher, sexo é concentração.
Para o homem, é distração. Para a mulher, sexo é literatura. Para o homem, é
televisão. Para a mulher, sexo depende de 100% de entrega. Para o homem, não
depende de nada. Para a mulher, sexo é comemoração. Para o homem, é salvação.
Para a mulher, sexo é escolha. Para o homem, é catarse. Para a mulher, sexo é
caminho. Para o homem, é fuga. Para a mulher, sexo é transparência. Para o
homem, é confusão. Para a mulher, sexo é confiança. Para o homem, é provocação.
Para a mulher, sexo é confirmação de expectativas. Para o homem, é reversão do
quadro. Para a mulher, sexo é sinceridade. Para o homem, é fantasia. Para a
mulher, sexo é parte da vida. Para o homem, é o sentido de toda a vida. E haja
sexo para anular as diferenças”
— Fabrício Carpinejar.
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