Estou
deitado por cima da colcha, ainda de roupa, o livro no peito, os olhos fechados,
a mente em disparada. Estou pensando em Tiny. A coisa patética que queria dizer
a ele ao telefone — mas não disse — era o seguinte: quando você é pequeno, você
tem uma coisa. Pode ser um cobertorzinho, um animal de pelúcia ou qualquer
outra coisa. Pra mim, era um cãozinho da pradaria de pelúcia que ganhei de
Natal quando tinha três anos. Nem sei onde encontraram um cão da pradaria de
pelúcia, mas, seja como for, ele se sentava nas patas traseiras e eu o chamava
de Marvin, e o arrastava de um lado pro outro, puxando-o pelas orelhas, até ter
uns 10 anos. E então, a certa altura, não era nada pessoal contra Marvin, mas
ele começou a passar mais tempo no armário com meus outros brinquedos, e depois
mais tempo ainda, até que finalmente Marvin se tornou residente fixo do
armário. Mas, por muitos anos ainda, às vezes, eu tirava Marvin do armário e
ficava com ele um pouco — não por mim, mas por Marvin. Sabia que era loucura, mas
ainda assim fazia.
E
o que eu queria dizer a Tiny é que, às vezes, me sinto como se eu fosse o Marvin
dele.
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