“O meu pai era Gay. Eu já
desconfiava, desde o dia em que ele começou a sair com aquele amigo, o
Carlinhos. Eles conversavam com tanta frequência, que eu pensava. “Que tipo de
coisa, dois homens casados fazem ás 2 da manhã conversando no telefone?” Papai
não era aquele homem aberto com as coisas, lembro-me das diversas vezes que o
peguei chorando na sofá enquanto ele fingia ler as notícias do Estado. Diante
disso, eu não podia falar ou fazer nada, apenas esperava ele terminar de “ler”
e íamos conversar sobre futebol. Meu pai me ensinou a dirigir e como cozinhar
panquecas. Ele fazia ótimas panquecas. Ele também tinha um gosto musical
exótico. Ele gostava apenas de instrumentais, nada de vozes. Meu pai, me
ensinou outras coisas, básicas de homens. Como consertar uma pia e como não
decepcionar uma mulher. Ele nunca precisou falar. “Não transe com ela se ela
não estiver pronta.” Ou, “Não traia ela, não minta pra ela.” Eu via isso nas
ações dele. Isso, até a minha festa de 20 anos. Quando descobri que ele realmente
estava namorando o Carlos. No dia em questão, eu fiquei revoltado. Cheguei a
odiá-lo por alguns anos. Então conheci a Katy. Minha melhor amiga da faculdade,
era o tipo de pessoa que faria qualquer cara trancado - se abrir. Ela me
mostrou o amor de todas as maneiras que você possa imaginar. O amor entre um
homem e uma mulher, entre um amigo e uma amiga, entre um homem e um cão, entre
uma mulher e uma outra mulher. Inclusive entre relacionamentos homossexuais.
Como disse, eu não reprimia o meu pai pelo que ele fazia, não o odiava pelo que
ele era, e sim pelo que ele fingia ser. Um dia, Katy e eu estávamos na loja de
discos que ficava perto da faculdade. Katy comprou 5 CD’s, todos instrumentais.
Naquela mesma noite, saímos para comer panquecas, e ela comentou sobre o João -
o garoto retardado com quem ela estava fazendo sexo.“ - Por que razão você esta
saindo com ele? Você não esta pronta para isso. Ele não pode magoá-la ou
traí-la. Isso não é ser homem.” “- O que é ser homem pra você?” Katy perguntou
irritada. Depois de todas aquelas memórias de infância e lembrei-me e todas as
vezes que meu pai chorava, mas ele nunca fez minha mãe chorar, ele a fazia bem.
Algumas mentiras são melhores que verdades. E isso ele sabia muito bem. E mesmo
fingindo ser quem não era, ou enganando-se no espelho todos os dias. Meu pai
amava a minha mãe, esse tipo de amor Katy e eu conhecíamos muito bem. Apesar de
também amar o Carlos, meu pai me ensinou que o amor era bem mais que beijo na
boca e sexo em dias frios. Amor era bem mais que falar. Esse turbilhão de
coisas se passaram na minha cabeça. “- Ser homem, é ser como o meu pai foi.””
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