Está frio. O café já não me
é suficiente para manter-me o corpo aquecido. O cobertor parece só aumentar o
sentimento de solidão. As gotas caem nas telhas e eu sinto saudades de quando
compartilhávamos risos enquanto ouvíamos-a cair. Hoje, nada mais resta senão
saudade. Lembranças, que o tempo não ajuda a apagar, que a mente insiste em não
esquecer, que o coração não aceita parar de apertar toda vez que lembra.
Sentimento renegado, sorriso apagado, abraços sem sentimentos. Cada vez mais as
coisas vão tornando-se desse jeito: mortas. Eu morro todos os dias na esperança
de poder sentir teu beijo quente invadir meu ser e incendiar o vivo que ainda
vive em mim. Sentir teu fôlego em minha boca, soprando o quente por dentre meus
lábios, penetrando pela garganta e espalhando-se pelos pulmões. Ah, vaga
esperança. Pisoteada pela triste realidade. Consumida pelo destino. Esbofeteada
pela vida. Verde que te quero azul... Branco que te quero preto. Já não sei
mais nada, nada mais sei eu. Será que o eu ainda existe dentro de mim, ou
acabei quando percebi que a metade foi-se embora com o todo de você? Por que
tudo o que eu vejo, é breu, é vazio. É solidão. E continua frio.
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