Pesquisar este blog

sábado, 6 de setembro de 2014

Depoimento de um desesperado por amor.

Hoje acordei meio fora de mim. Nada parecia fazer sentido. Era como se alguma coisa tivesse fugido do meu corpo enquanto eu dormia noite passada. Não sei bem ao certo, é como se a alma tivesse pesada, ou como se um buraco tivesse sido aberto em meu peito. Levantei, lavei o rosto, tomei um café, tomei uma ducha, com uns dólares fui ao supermercado. Percorri por todos os corredores em busca de algo que eu não sabia o que era. Parei na seção de bebidas, e comecei a escolher. Uísque, tequila, vodca. Vinho, aguardente, destilado. Fui colocando um pouco de cada bebida num carrinho. Segui pra casa, sozinho. Liguei a TV, não tinha nada de interessante passando. Uma monotonia como sempre. Liguei o som e coloquei as melhores músicas para tocar. A cada música, um gole. Cada gole entrava rasgando goela abaixo parecia que era a gota de um vulcão. Cada bebida, um sabor diferente. Cada sabor diferente me remetia uma memória, um alguém. É engraçado como as bebidas podem facilmente servir de poço de lembranças. Fui bebendo, bebendo, bebendo... Troquei vários CD’s. Senti-me tonto, corri para o banheiro. Vomitei. Puta merda, como eu vomitei! Parecia que eu ia me desintegrar interiormente e sair do meu corpo pela boca. Mas era uma sensação boa sabe? Era como se todo o amargo da minha vida tivesse sendo expulso dentro de mim, como um demônio em um exorcismo, como um convidado indesejado em uma festa altamente particular. E eu vomitei. Não sei por quanto tempo. Logo depois tomei mais uma ducha, escorreguei e me sentei ao chão. Acho que desmaiei, pois quando acordei estava escurecendo, e já não tinha mais água no chuveiro. Abri os olhos lentamente, uma dor latejante atingia minha cabeça, como se eu tivesse batido ela no chão quando desmaiei, ou peguei no sono, sei lá. Pus minha toalha e fui ligar a água. Por sorte, foi só a caixa que secou. Sentia-me tonto ainda com a dor de cabeça, tomei uns analgésicos, voltei para o banho. Senti um enjoo, uma dor aguda no estômago, como se tivesse migrado de cima para baixo, da cabeça para o estômago. Lembrei que não tinha comido nada o dia todo. Só bebi. Quando saí do banho, sequei-me e me joguei na cama. Nu. Corpo nu. Alma nua. Relaxado. Peguei no sono. Acordei duas da manhã com uma fome, e sentindo o corpo todo quebrado. Ia pedir uma pizza, mas era domingo, e não fazem entrega depois da meia noite nos fins de semana. Não tive opção a não ser esquentar o que tinha na geladeira. Fiz meu prato, pus no micro-ondas. Comi. Matei a fome. Mesmo assim, ainda estava nu. A gente sente uma coisa estranha quando percebe isso. O peito parece derreter, o buraco fica maior. Na sala, olhei ao redor e vi as garrafas abertas, o cheiro nauseabundo inundou minhas narinas me provocando ânsias de vômito. Corri pro quarto, sentei-me e fiquei respirando o ar mais puro que eu conseguia. Esqueci que eu estava numa das cidades mais poluentes que se tinha notícia, oxigênio aqui é igual procurar agulha no palheiro. Mesmo assim, consegui respirar e manter a sanidade. Joguei-me na cama de novo. Refleti. Percebi que não tinha bebida no mundo, não tinha banho, não haveria nada, absolutamente nada, que pudesse tapar ou pelo menos, reduzir a sensação de vazio, solidão, nudez e abandono que eu sentia naquele momento. Não há nada que possa substituir alguém que você foi capaz de amar com todo o seu ser e que de repente, esvai de suas mãos como água que você pega na torneira e escorre pra o ralo, sem destino, sem direção. Sem rumo certo. A verdade, meu caro, é que amor de verdade, só se sente uma vez. O resto é só tapa buraco. E você jamais vai encontrar alguém do tamanho do seu buraco.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comentários ofensivos serão deletados.