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domingo, 9 de agosto de 2015

Amor de Escola

Já tive outras paixonites, mas amar, amar, amar, no sentido puro, só uma vez. Eu tinha 4 anos e tinha essa menina na minha escola. Ela era loirinha, tinha 5 anos e era um pouco mais alta do que eu. A mãe dela era professora da escola e por isso ela era a última a largar. Eu saía tarde da escola já que o meu irmão mais velho ia me buscar após o trabalho, então todos os dias eu ficava no parque vendo ela brincar sozinha já que todos as outras crianças iam embora e ela tinha que esperar a mãe dela acabar o turno. Um dia eu fui falar com ela e ela ficou super feliz, afinal, quem gosta de brincar sozinho? Depois disso nós brincávamos todos os dias depois de largarmos. Lembro que eu brincava de pega-pega com ela, só que era meio sem graça, sabe? Eu sempre ganhava por correr mais e conseguir subir mais alto nas árvores. Depois de um tempo eu comecei a correr mais devagar, colocar um pé pra baixo quando eu tava pendurado, só pra ela me pegar e ficar gritando: “Eu ganhei, eu ganhei, eu ganhei”. Eu não sei o motivo de eu fazer isso, mas ela ganhando, eu ganhava. Ficamos nisso por uns 3 anos, nós éramos muito amigos, mas a gente nem sabia o que era namorar, amor e essas coisas, né? Dã! Éramos crianças! E aí eu mudei de colégio, e felizmente, ela também (pro mesmo que o meu). O Ensino Fundamental era diferente da escola de pequeninhos, ela tinha mais amigos pra brincar, ela tava aprendendo o que era maquiagem e essas coisas que a gente começa a aprender quando vai crescendo, vocês sabem. Apesar de ela ser mais velha por alguns meses, eu era uma série acima, por isso não nos víamos com tanta frequência. Quando chegamos na 5ª série (6ª, sei lá) a gente começou a aprender o que era “namorar”, apesar de que a gente não se beijava. Éramos namorados sim, mas nossos beijos eram andar de mãos dadas, não jogar o +4 pro outro no UNO e ir comprar lanches juntos todos os dias. Afinal, éramos crianças, né? Dã! Quando eu tava na 7ª série e ela na 6ª, eu tinha 11 anos e ela 12. Tinha começado a fase do ciúmes dos amigos e amigas e foi bem desgastante já que a gente não sabia como namorar de verdade. Ficava essa coisa de “o que a gente é?” (a resposta era: CRIANÇAS! DÃ!) mas a gente passou por isso (e, ah, esse foi o ano do primeiro beijo!). Na 8ª série foi o ano que meus pais me obrigaram a sair da escola particular e ir pra uma pública pelo fato de que eu teria mais chances nos vestibulares, mas eu não queria, tanto por ela e pelo fato de que eu não iria me adaptar com o pessoal. A gente perdeu todo o contato em 2010 (o ano que eu era 8ª e ela 7ª) e aí em 2011 a gente voltou a se falar fora da escola. Fora da escola as coisas eram bem diferentes. Eu já era 1º ano do Ensino Médio e ela era 8ª série. Eu confesso que tentei retomar tudo, ela tentou se adaptar, mas não deu. Não dava. Ela não era a mesma menina loirinha e um pouquinho mais alta do que eu. E não era eu que tinha crescido meio metro, ela quem tinha mudado (e eu não tô falando do cabelo grande que ela cortou no ombro). Ela mudou e eu desisti. Passei o 2º e o 3º ano gostando da “antiga ela” que tinha desaparecido e virado aquela menina que eu não conhecia, e isso por conta de amizades e outras pessoas aí. Quando eu comecei a faculdade (2014) vi que não valia a pena esperar por uma pessoa que se perdeu dentro de si. Mas eu não posso reclamar, né? Afinal, dã! Ela cresceu!

—           Aleff Tauã.

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