Já tive outras paixonites, mas
amar, amar, amar, no sentido puro, só uma vez. Eu tinha 4 anos e tinha essa
menina na minha escola. Ela era loirinha, tinha 5 anos e era um pouco mais alta
do que eu. A mãe dela era professora da escola e por isso ela era a última a
largar. Eu saía tarde da escola já que o meu irmão mais velho ia me buscar após
o trabalho, então todos os dias eu ficava no parque vendo ela brincar sozinha
já que todos as outras crianças iam embora e ela tinha que esperar a mãe dela
acabar o turno. Um dia eu fui falar com ela e ela ficou super feliz, afinal,
quem gosta de brincar sozinho? Depois disso nós brincávamos todos os dias
depois de largarmos. Lembro que eu brincava de pega-pega com ela, só que era
meio sem graça, sabe? Eu sempre ganhava por correr mais e conseguir subir mais
alto nas árvores. Depois de um tempo eu comecei a correr mais devagar, colocar
um pé pra baixo quando eu tava pendurado, só pra ela me pegar e ficar gritando:
“Eu ganhei, eu ganhei, eu ganhei”. Eu não sei o motivo de eu fazer isso, mas
ela ganhando, eu ganhava. Ficamos nisso por uns 3 anos, nós éramos muito
amigos, mas a gente nem sabia o que era namorar, amor e essas coisas, né? Dã!
Éramos crianças! E aí eu mudei de colégio, e felizmente, ela também (pro mesmo
que o meu). O Ensino Fundamental era diferente da escola de pequeninhos, ela
tinha mais amigos pra brincar, ela tava aprendendo o que era maquiagem e essas
coisas que a gente começa a aprender quando vai crescendo, vocês sabem. Apesar
de ela ser mais velha por alguns meses, eu era uma série acima, por isso não
nos víamos com tanta frequência. Quando chegamos na 5ª série (6ª, sei lá) a
gente começou a aprender o que era “namorar”, apesar de que a gente não se
beijava. Éramos namorados sim, mas nossos beijos eram andar de mãos dadas, não
jogar o +4 pro outro no UNO e ir comprar lanches juntos todos os dias. Afinal,
éramos crianças, né? Dã! Quando eu tava na 7ª série e ela na 6ª, eu tinha 11
anos e ela 12. Tinha começado a fase do ciúmes dos amigos e amigas e foi bem desgastante
já que a gente não sabia como namorar de verdade. Ficava essa coisa de “o que a
gente é?” (a resposta era: CRIANÇAS! DÃ!) mas a gente passou por isso (e, ah,
esse foi o ano do primeiro beijo!). Na 8ª série foi o ano que meus pais me
obrigaram a sair da escola particular e ir pra uma pública pelo fato de que eu
teria mais chances nos vestibulares, mas eu não queria, tanto por ela e pelo
fato de que eu não iria me adaptar com o pessoal. A gente perdeu todo o contato
em 2010 (o ano que eu era 8ª e ela 7ª) e aí em 2011 a gente voltou a se falar
fora da escola. Fora da escola as coisas eram bem diferentes. Eu já era 1º ano
do Ensino Médio e ela era 8ª série. Eu confesso que tentei retomar tudo, ela
tentou se adaptar, mas não deu. Não dava. Ela não era a mesma menina loirinha e
um pouquinho mais alta do que eu. E não era eu que tinha crescido meio metro,
ela quem tinha mudado (e eu não tô falando do cabelo grande que ela cortou no
ombro). Ela mudou e eu desisti. Passei o 2º e o 3º ano gostando da “antiga ela”
que tinha desaparecido e virado aquela menina que eu não conhecia, e isso por
conta de amizades e outras pessoas aí. Quando eu comecei a faculdade (2014) vi
que não valia a pena esperar por uma pessoa que se perdeu dentro de si. Mas eu
não posso reclamar, né? Afinal, dã! Ela cresceu!
— Aleff Tauã.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Comentários ofensivos serão deletados.