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domingo, 19 de abril de 2015

Memórias Fora


Tentei sorrir. Na metade do sorriso uma lágrima escorreu. Eu juro como tentei segurar, mas não deu. Não hoje, não agora. Sabe há quanto tempo essa lágrima insiste em correr? Ela correu, pois já não suportava mais a ausência de ar. Não aguentava a ideia de minha infame insistência em deixar os olhos fechados, imaginando um futuro inexistente nosso. Por isso eu tentei sorrir. O sorriso esmaeceu, esvaiu-se da minha face e escondeu-se no esmo da minha imaginação. Meus lábios, salgados, só reconhecem o frio do copo de uísque, vazio, inexpressivo, inerte. Já não sei quantos copos virei, quebrei ou arremessei na parede. Por dentro tudo queima tudo arde. Como se houvesse uma ferida aberta, inflamada, que não para de incomodar e não há nada que possa diminuir isso. Mas sabe, isso em nada se compara com a dor que está em meu peito. Cada lembrança sua, cada fragmento, é como se fosse uma batida dolorosa em meu coração. Agulhas entram e saem, passeiam pelos músculos cardíacos, provocando incômodo... Por favor, tira isso de mim! Volta pra mim, me faz sorrir de novo. Me faz feliz. Ou pelo menos volta para se despedir de uma forma menos dolorosa, por que te ver com o meu melhor amigo aos beijos e de mão dadas foi a pior forma de despedida que eu pude ter até hoje.

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