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sábado, 28 de fevereiro de 2015

O homem que virou pó.

Parei de sentir. Ultimamente tenho vivido em um estado de torpor. Anestesiado para a vida. Quando estou ao redor de pessoas, fico sentado em um canto, é como se existisse uma parede invisível me isolando dos outros, o som já não chega até mim como antes, ele está disforme e não consigo mais entender o que dizem as pessoas, percebi que elas não mais me escutam também. Fico apenas observando. O mundo gira e as pessoas mudam com ele, eu apenas vejo, e então percebo que mudei também, não sou mais quem era antigamente, gostaria de ser, mas já é tarde demais. Parei de me importar. Não ligo mais para o que acontece a minha volta, o som cessou, já não escuto mais, não consigo falar também, não porque não quero, mas porque não consigo. As pessoas não me veem mais, sinto que estou desaparecendo, ou então nunca existi realmente, não sei se isto tudo é apenas uma ilusão, ultimamente não sei de muita coisa, minhas certezas sumiram, tudo o que possuo são dúvidas que não param de chegar e as respostas desapareceram. Sinto-me mais leve, isso me assusta um pouco, não consigo mais tocar em nada. As pessoas já não me olham mais. Será tudo isso um sonho? Sou um fantasma? Não consigo mais se lembrar da minha infância, minha memória me abandonou, já não sei quem sou. As pessoas esqueceram-se de mim, ninguém veio me procurar. Sinto-me cansado e já não faço mais nada. Meu corpo está desaparecendo, nada tem sentido. Só me restou ver, mas olhar já não posso, minha visão está desfocada, já não vejo como antigamente. Acho que chegou a hora de ir. As pessoas já não sabem mais quem sou, nem mesmo eu. Já não ouço, não falo, não sinto, não tenho mais corpo, minha visão se foi, meus pensamentos estão disformes. Está escuro, mas há uma luz aqui, ela é bonita, e se for um portal para outra dimensão? A esse mundo já não mais pertenço, é hora de dizer: Adeus.

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