O
problema é que eu sou dependente, pai. Meu caso com a poesia não tem jeito, é
uma loucura incurável. Ela se tornou muito mais do que um vício, uma viagem que
preciso de fazer. Eu sinto fome, pai, fome de palavras, sem elas eu morro seca
de inanição, meto logo uma bala na cabeça, melhor assim. Eu tenho um apego
intenso com a palavra, eu sinto tesão. Tenho orgasmos múltiplos quando pego um
bando delas e faço um verso lindo, pai. A gente faz uma orgia boa, sem hora e
sem lugar pra acabar. Eu pego, mordo, chupo, lambo, sugo, fico de quatro, eu faço
sexo gostoso. Eu tenho ela e ela me tem. Agora eu te pergunto, como seria viver
sem a poesia? Eu juro que eu morro, pai.
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