Inexo. Sem nexo. Desconexo. Tudo parecia sem
sentido. Tudo era preto e branco. Ou branco e preto. Não importa. O importante,
todavia, era que estava tudo aos frangalhos, deteriorando, esvaindo, secando,
evaporando. Você nunca entenderá isso. Ou talvez sim. Imagine-se apenas sendo
metade. Corte-se ao meio. Consegue imaginar isso? Então, camarada. É isso que
me consome. O inevitável. O sentimento de incomplexibilidade. Tá, a palavra não
existe, mas você sabe o que eu quis expressar. A metade da metade da mínima
parte existente de mim. É isso o que sobrou. Somente. E enquanto eu estou aqui,
dizimando aos poucos, lá está ele. Feliz. Seguindo sua vida como se nada
tivesse acontecido. Como se ele não tivesse acabado com uma vida. A minha vida.
Mas a partir de agora, viverei com o que sobrou de mim. Irei sair por aí,
catando os pedaços, juntando os cacos e um dia, com certeza, irá aparecer alguém
que vai me refazer. Depois pode até quebrar. Mas o ciclo vai se repetir, até o
momento em que sobrem apenas as cinzas e o vento leve.
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