Escrevo também para
saber como foi o seu dia – se você chorou esta manhã, se você acordou um pouco
mais tarde do que o costume, ou se, mais cedo, você fumou um maço inteiro
tentando se acalmar e esquecer por um breve momento as confissões e as
confusões do seu mundo, como de costume. Escrevo também para saber como foi a
sua noite – se você conseguiu dormir e sonhar e me ver, por pouco tempo que
seja, nessas imagens pensadas, nessas imagens prensadas e intocáveis, tocadas
apenas pela capacidade de sonhar, mas que ao despertarem serão apenas o que
são: lembranças sonhadas. Escrevo ainda para saber quais são os seus medos e a
quem você assusta, quais são os seus desejos e por quem você se ajoelha, quais
são suas verdades e a quem você se permite mentir. E, como se não bastasse,
escrevo para saber se você me encaixa no seu tempo, mesmo sabendo que o amor é
um temporal atemporal que faz chover e tremer e molhar e, mesmo assim, os
esperançosos amantes conseguem enxergar – talvez pela cegueira momentânea das
pequenas paixões, talvez pela esperança eterna de um dia acordarem ao lado de
um grande amor – um sol quente e amarelo e belo e denso, imenso.
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